- 1 — Instruções gerais
- 1.1 — Trabalhos que exigem permissão de trabalho
- 2 — Permissões de trabalho
- 2.1 — Trabalho em altura
- 2.2 — Trabalho a quente
- 2.3 — Entrada em espaço confinado
- 2.4 — Trabalho elétrico
- 2.5 — Movimentação e elevação de cargas
- 2.6 — Escavação
- 2.7 — Produtos químicos e desinfestação
- Histórico de Versões
Os trabalhos listados abaixo só podem iniciar-se com permissão de trabalho escrita, emitida e autorizada antes do início da tarefa. Quando a W.G.F. trabalha nas instalações de um cliente, a permissão é a do operador da instalação e as regras do operador prevalecem sobre as regras internas sempre que forem mais exigentes. Nenhum trabalho começa sem a análise de risco da tarefa e o diálogo de segurança com a equipa.
- Trabalho em altura: qualquer trabalho a partir de 1,5 m acima do nível de referência, incluindo fachadas, coberturas, estruturas, andaimes e escadas.
- Trabalho a quente: soldadura, oxicorte, esmerilagem, maçarico, aquecimento ou qualquer operação que produza chama, faísca ou superfície incandescente.
- Entrada em espaço confinado: tanques, reservatórios, condutas, fossas, câmaras subterrâneas, silos e poços — espaços de acesso restrito onde pode faltar oxigénio ou existir atmosfera perigosa.
- Trabalho elétrico em média e alta tensão: intervenções acima de 220 V, e qualquer intervenção em quadros, cabos ou equipamentos sob tensão.
- Trabalho com energias perigosas: vapor, líquidos e gases inflamáveis, recipientes sob pressão, produtos químicos e energia elétrica armazenada.
- Movimentação e elevação de cargas: operações de elevação com grua, empilhador ou guincho que não sejam rotineiras.
- Escavação: qualquer corte, cavidade ou vala aberta no terreno. Escavações iguais ou superiores a 1,20 m de profundidade são consideradas de alto risco.
- Aplicação de biocidas e produtos químicos perigosos: operações de desinfestação, desinfeção e limpeza química em áreas ocupadas ou com circulação de pessoas.
Antes de recorrer o equipamento de proteção individual, a W.G.F. procura sempre eliminar o perigo, substituir por um método menos perigoso, aplicar controlos de engenharia (guarda-corpos, ventilação, barreiras) e depois controlos administrativos (procedimento, formação, sinalização). O EPI é a última barreira, não a primeira.
Distinguem-se três riscos principais neste tipo de trabalho:
- Queda de pessoas em altura.
- Queda de materiais ou de ferramentas sobre quem está por baixo.
- Contacto com condutores elétricos aéreos, por contacto direto ou por arco elétrico.
Para cada risco existe uma forma de o eliminar, reduzir ou controlar:
- Proteção coletiva (prioritária): guarda-corpos, plataformas com rodapé, redes de segurança, passadiços e delimitação da área por baixo da frente de trabalho.
- Proteção individual: arnês antiqueda com talabarte de absorção de energia, ligado a ponto de ancoragem ou a linha de vida.
- Organização: proibição de circulação sob a frente de trabalho e amarração de ferramentas e materiais.
É obrigatório o uso permanente dos seguintes equipamentos:
O arnês e o talabarte são equipamentos de salvamento: a sua verificação é obrigatória antes de cada utilização e é responsabilidade de quem os vai usar.
- Arnês: percorrer com a mão todas as fitas, verificando que não existem cortes, desgaste, queimaduras ou fibras soltas.
- As costuras são executadas em cor diferente da fita, precisamente para permitir detetar à vista a rotura de um ponto. Verificar todas as costuras, à frente e atrás, incluindo as zonas que ficam ocultas.
- Verificar argolas, fivelas e passadeiras: não podem estar deformadas, oxidadas nem fissuradas.
- Talabarte: as costuras devem estar íntegras e a fita não pode apresentar cortes.
- Acima de 4,5 m é obrigatório talabarte com absorvedor de energia, com a sua bainha original intacta. Um absorvedor já acionado (desdobrado) está fora de serviço e não pode ser reutilizado.
- Em trabalhos com deslocação contínua, usar talabarte duplo com dois mosquetões de abertura mínima de 55 mm, de modo a nunca ficar desamarrado durante a mudança de ponto.
- Qualquer equipamento que não passe na verificação é retirado de serviço e identificado, não sendo devolvido ao uso.
- Delimitar e sinalizar todo o perímetro por baixo da frente de trabalho, no mínimo com cones e fita, de forma a proteger quem circula na zona.
- Confirmar as condições meteorológicas: suspender o trabalho em caso de vento forte, chuva intensa ou trovoada.
- Verificar a existência de linhas elétricas aéreas e respeitar as distâncias de segurança.
- A equipa cumpre as medidas definidas neste manual e as da permissão de trabalho correspondente.
- A equipa é constituída por no mínimo duas pessoas: o responsável pela tarefa e o ajudante. Não executa-se trabalho em altura isoladamente.
O ponto de ancoragem deve situar-se acima do ombro do utilizador e ser capaz de suportar, por pessoa amarrada, uma carga mínima de 750 kg. Nunca se ancora a tubagens de processo, condutas, calhas de cabos ou elementos não estruturais.
Antes de emitir a permissão, analisam-se as seguintes condições:
- Condições meteorológicas previstas: vento, chuva e descargas elétricas.
- Iluminação da zona de trabalho.
- Todos os riscos associados à tarefa e aos trabalhos em simultâneo na proximidade.
- Estado de todos os EPI e equipamentos a utilizar.
- Existência e identificação dos pontos de ancoragem.
- Meios de resgate disponíveis em caso de queda suspensa.
- A escada é meio de acesso, não é posto de trabalho: só se trabalha de escada em tarefas curtas e ligeiras.
- Inspecionar antes de usar: degraus, montantes, sapatas antiderrapantes e articulações.
- Apoiar em superfície firme e nivelada, com inclinação aproximada de 1:4, e amarrar no topo.
- A escada de encosto deve ultrapassar em cerca de 1 m o nível de acesso.
- Subir e descer de frente para a escada, com as duas mãos livres e três pontos de apoio.
- Não transportar materiais à mão durante a subida: usar corda de serviço ou alcatruz.
- Escadas de madeira não podem ser pintadas, para que os defeitos continuem visíveis.
- A montagem, alteração e desmontagem são feitas por pessoal com formação específica.
- Assentar sobre base firme e nivelada, com pranchas de distribuição de carga quando necessário.
- Travar e escorar à estrutura conforme a altura; respeitar a relação altura/base indicada pelo fabricante.
- Plataformas completas, sem vãos, com guarda-corpo, guarda-cabeça e rodapé.
- Acesso por escada interior ou torre de acesso, nunca trepando pela estrutura.
- Afixar cartão de inspeção: verde liberta a utilização, vermelho proíbe.
- Inspecionar após montagem, após qualquer alteração e depois de intempérie.
- Em andaime móvel: bloquear as rodas antes de subir e nunca deslocar o andaime com pessoas ou materiais em cima.
- Operadas apenas por pessoal autorizado e com formação na máquina.
- Verificar antes de cada turno: comandos, paragem de emergência, nível de carga e estado dos pneus.
- Utilizar arnês com talabarte curto ligado ao ponto de ancoragem da própria cesta.
- Não exceder a carga máxima nem utilizar escadas ou caixotes dentro da cesta.
- Verificar o piso e a existência de obstáculos e linhas aéreas antes de elevar.
Considera-se trabalho a quente qualquer operação que produza chama, faísca, arco elétrico ou superfície incandescente: soldadura, oxicorte, esmerilagem, furação em material ferroso, maçarico, aquecimento de tubagem e corte com disco abrasivo.
- Obter a permissão de trabalho a quente e, em instalação de cliente, a autorização do operador.
- Remover todo o material combustível num raio mínimo de 11 m, ou proteger com manta ignífuga o que não puder ser removido.
- Medir a atmosfera quando houver possibilidade de gases ou vapores inflamáveis; repetir a medição ao longo do trabalho.
- Tapar aberturas, ralos, juntas e condutas por onde possam cair faíscas.
- Ter extintor adequado e pronto a usar no local da tarefa.
- Designar um vigilante de fogo, sem outras funções durante a operação.
- Verificar o estado de mangueiras, manómetros, válvulas antirretorno e garrafas de gás; as garrafas ficam na vertical e amarradas.
O vigilante de fogo mantém a vigilância do local durante, no mínimo, 60 minutos após o fim dos trabalhos, verificando também o lado oposto de paredes e pavimentos onde a condução de calor possa ter iniciado combustão. A permissão só se encerra depois dessa verificação.
Espaço com dimensão suficiente para a entrada de uma pessoa, com meios de entrada e saída limitados, e que não foi concebido para ocupação permanente. Nas atividades da W.G.F., a limpeza técnica de tanques, reservatórios e condutas é a principal origem deste risco.
- Tanques de armazenamento e reservatórios.
- Condutas, coletores e tubagens de grande diâmetro.
- Fossas, poços e caixas de visita.
- Câmaras subterrâneas e galerias técnicas.
- Silos, tremonhas e depósitos.
- Escavações profundas com ventilação deficiente.
- Entrante: executa a tarefa dentro do espaço; nunca entra sozinho.
- Vigia: permanece no exterior durante toda a operação, mantém contacto permanente com o entrante e nunca entra para socorrer.
- Supervisor de entrada: autoriza a entrada, confirma as medições e encerra a permissão.
- Equipa de resgate: definida e disponível antes da entrada, com meios de resgate pelo exterior (tripé, guincho, arnês de resgate).
A permissão de entrada é emitida por escrito, é válida apenas para o turno e para a tarefa descrita, e é encerrada no fim dos trabalhos ou sempre que as condições se alterem.
- Isolar e bloquear todas as entradas de produto, vapor e energia (bloqueio e etiquetagem).
- Esvaziar, lavar e ventilar o espaço antes da entrada.
- Ventilação forçada contínua durante toda a permanência.
- Iluminação e ferramentas elétricas de baixa tensão e, quando houver risco de atmosfera inflamável, equipamento antideflagrante.
- Proibição absoluta de trabalho a quente dentro do espaço sem permissão específica adicional.
A medição é feita com detetor multigás calibrado, em vários níveis do espaço (fundo, meio e topo), imediatamente antes da entrada e de forma contínua durante a permanência:
- Oxigénio: entre 19,5% e 23,5%. Fora deste intervalo, a entrada é proibida.
- Gases inflamáveis: inferior a 10% do limite inferior de explosividade.
- Gases tóxicos (sulfureto de hidrogénio, monóxido de carbono, vapores de hidrocarbonetos): abaixo dos valores limite de exposição aplicáveis.
- Os resultados são registados na permissão de entrada, com hora de medição.
- Confirmar bloqueios, ventilação, medições e meios de resgate.
- Realizar o diálogo de segurança com toda a equipa.
- Registar a entrada de cada pessoa e a hora.
- Manter a monitorização contínua da atmosfera; o alarme obriga à saída imediata.
- Manter o contacto permanente entre entrante e vigia.
- Manter a ventilação em funcionamento.
- Interromper e evacuar perante qualquer alteração das condições ou mal-estar de quem está dentro.
- Em caso de emergência, o vigia dá o alerta e aciona o resgate pelo exterior — nunca entra. A maioria das mortes em espaços confinados ocorre com quem entra para socorrer.
- Dor de cabeça, tonturas e perda de equilíbrio.
- Respiração acelerada e falta de ar.
- Náuseas e vómitos.
- Confusão, fala arrastada e dificuldade de concentração.
- Visão turva.
- Perda de consciência.
O sulfureto de hidrogénio tem cheiro a ovo podre em concentrações baixas, mas deixa de ser detetável pelo olfato em concentrações perigosas. A ausência de cheiro nunca é prova de atmosfera segura: só a medição é.
- Ventilador ou extrator com manga de ventilação.
- Tripé com guincho de resgate e cabo de vida.
- Iluminação portátil de baixa tensão.
- Extintor adequado, no exterior.
- Contacto visual permanente, sempre que a geometria do espaço o permita.
- Comunicação por voz ou por rádio, verificada antes da entrada.
- Código de sinais por corda, acordado previamente, quando as restantes formas falharem.
Qualquer intervenção em instalações, quadros, cabos ou equipamentos elétricos, bem como trabalhos na proximidade de partes sob tensão.
A regra é intervir sem tensão. Para isso aplicam-se as cinco regras de ouro:
Identificar e abrir todos os pontos de alimentação, incluindo alimentações alternativas, geradores e sistemas ininterruptíveis.
Bloquear mecanicamente os dispositivos de corte com cadeado individual e identificar com etiqueta o responsável, a data e a razão do bloqueio.
Verificar com detetor adequado, ensaiando o detetor antes e depois, em todos os condutores.
Em média e alta tensão, colocar o troço em curto-circuito e ligado à terra.
Delimitar a zona e sinalizar as partes que permanecem sob tensão na proximidade.
- Ferramenta isolada, com marcação de tensão e sem fissuras no isolamento.
- Detetor de tensão dentro da validade de verificação.
- Cabos de extensão sem emendas improvisadas e com condutor de terra íntegro.
- Quadros de obra com diferencial, testado periodicamente.
- Luvas isolantes verificadas antes de cada utilização e dentro do prazo de ensaio.
- Confirmar o esquema da instalação e identificar o circuito correto.
- Não trabalhar sozinho em média ou alta tensão.
- Remover objetos metálicos pessoais: anéis, relógios e correntes.
- Trabalhar com as mãos secas e sobre superfície isolante quando aplicável.
Qualquer operação de levantamento, suspensão ou deslocação de carga com grua, guincho, empilhador ou diferencial, sobretudo quando não é rotineira.
- Plano de elevação para cargas não rotineiras: peso, centro de gravidade, acessórios, raio e trajetória.
- Operador e sinaleiro com formação e autorização; um único sinaleiro designado por operação.
- Verificar antes de cada utilização cabos, lingas, cintas, manilhas e ganchos; retirar de serviço os que apresentem fios partidos, deformação ou corrosão.
- Respeitar a carga máxima admissível e a tabela de cargas do equipamento.
- Delimitar a zona de manobra; é proibido permanecer ou passar sob a carga suspensa.
- Usar cabo-guia para controlar a rotação da carga, nunca as mãos.
- Suspender a operação com vento forte, visibilidade reduzida ou terreno instável.
- Estabilizar o equipamento com os estabilizadores totalmente estendidos e calços sob as sapatas.
Qualquer corte, cavidade, vala ou depressão artificial aberta no terreno em relação ao nível existente, criada por remoção de material. Escavações com profundidade igual ou superior a 1,20 m são consideradas de alto risco.
- Identificar previamente infraestruturas enterradas: cabos elétricos, condutas de água, esgoto, gás e telecomunicações. Confirmar com o cliente e com os desenhos da instalação antes de abrir.
- Entivar, escorar ou taludar as paredes conforme a profundidade e o tipo de terreno.
- Depositar as terras a mais de 1 m do bordo e nunca acumular material ou equipamento junto da vala.
- Prever acesso e saída seguros a cada 7,5 m de desenvolvimento, por escada que ultrapasse o bordo.
- Delimitar o perímetro com guarda-corpos ou barreiras e sinalizar, inclusive de noite.
- Inspecionar a escavação no início de cada turno, após chuva e após qualquer vibração ou sobrecarga.
- Uma escavação de profundidade superior a 1,20 m com ventilação deficiente é tratada como espaço confinado, com todas as exigências da secção 2.3.
- Controlar a circulação de máquinas e veículos junto ao bordo da escavação.
Aplica-se à aplicação de biocidas em desinfestação e controlo de pragas, à limpeza química industrial e ao manuseamento de detergentes, desengordurantes, tintas e solventes.
- Utilizar apenas produtos da lista de produtos autorizados da organização.
- Ler a ficha de dados de segurança do produto e mantê-la acessível no local de trabalho.
- Confirmar a dose indicada pelo fabricante e utilizar equipamento de dosagem calibrado. A dose correta é uma exigência de segurança e ambiental, não apenas de eficácia.
- Isolar e sinalizar a área a tratar; retirar pessoas, alimentos, utensílios e animais.
- Informar o cliente do produto a aplicar e do prazo de reentrada na área tratada.
- Aplicar sempre no sentido favorável à ventilação, nunca contra o fluxo de ar.
- Não comer, beber nem fumar durante a aplicação.
- Evitar a dispersão para fora da área tratada e para linhas de água, sumidouros e solo descoberto.
- Manter o kit de contenção de derrames acessível.
- Nunca transvasar produto para recipiente de bebida ou de alimento, nem para recipiente não identificado.
- Registar produto, lote, dose, área tratada, hora e prazo de reentrada.
- Lavar o equipamento de aplicação apenas em zona impermeabilizada com recolha do efluente.
- Encaminhar embalagens vazias como resíduo perigoso (PRO-032).
- Manter a sinalização da área até ao fim do prazo de reentrada.
- Lavar as mãos e o rosto e mudar de vestuário antes de qualquer refeição.
Lavar abundantemente com água, afastar a pessoa da área tratada e procurar assistência médica, levando a ficha de dados de segurança do produto. Registar a ocorrência como incidente (PRO-005).
O levantamento da legislação angolana aplicável à segurança e saúde no trabalho ainda não foi realizado. Este manual baseia-se nos requisitos das normas ISO 45001:2018 e nas boas práticas do setor. Após o levantamento legal (PRO-022), as referências legais aplicáveis devem ser acrescentadas a cada secção.
| Versão | Data | Descrição | Aprova |
|---|---|---|---|
| 000 | 14.01.2026 | Original | CEO |